Nuno Bernardes
Foi num 4 de Dezembro de 1976, ano em que foi aprovada e decretada a Constituição da República Portuguesa, que os meus pais me registaram com o nome de Nuno. O cenário desse momento foi a cidade de Coimbra, a “Coimbra dos meus amores”, donde me criei, estudei e vivi até aos 25 anos. Lisboa, Glasgow, Leverkusen e Copenhaga foram outros portos donde estive atracado até chegar a Barcelona nos finais de 2003. E desde então tenho andado por aqui.
Licenciado em Economia pela Universidade de Coimbra, possuo igualmente um Master in International Business Management e um MBA. Fiz parte do programa Contacto do ICEP e trabalhei para multinacionais como Bayer, Capgemini ou Novo Nordisk. Actualmente trabalho como consultor de negócio, mas o sonho de ter o meu “chiringuito” nalguma praia do litoral brasileiro é o que pretendo realizar lá para os 60...
Sou casado com uma catalã, com quem partilho as alegrias e as tristezas desde 2006, e pai de um pequeno luso-catalão... já tinha plantado uma árvore e agora só me falta escrever um livro.
Não é um livro, mas é um cantinho de desabafo que levo escrevendo desde Maio de 2007, e é o blog Can Portugal.
Em casa imperam o Português e o Catalão, mas a vida laboral obriga a expressar-me diariamente em Castelhano, Catalão, Português, Inglês e, de vez enquando, em Francês.
Aficionado incondicional da Briosa, sou feliz nesta terra que me acolheu, mas sem nunca esquecer que sou um Português do mundo.
P - Veio á procura de quê, em Barcelona?
NB - Vim à procura da minha namorada (actual mulher), antes que ela se arrependesse.
P - O que é que encontrou?
NB - Uma cidade que já conhecia como turista e que, desde então, como residente aprendi a gostar e a criticar... também encontrei a minha namorada, felizmente!
P - Pensa ficar?
NB - Sim, porque não?!
P - Qual a diferença que sente no seu mundo pessoal e profissional entre Portugal e a Catalunha?
NB - A minha experiência profissional em Portugal é curta; mas em Portugal encontrei um “isolacionismo”, um excesso de formalidade e detalhes sem importância que não vi aqui. A concorrência em todas as vertentes é mais forte por estes lados. Continuo a pensar que os portugueses têm qualidades para triunfar como um catalão ou qualquer outro, o que falta por vezes é um estímulo. Além de que há que redefinir as prioridades em Portugal. Na Catalunha vejo uma eterna frustração contra o “Reino de España” (reservo-me a minha opinião sobre este tema, se bem que possa dizer que tenho mais afinidade pelo “fet a catalunya” que pelo “hecho en españa”) que lhe consome muita energia e recursos. Mas não concordo nem que os catalães são arrogantes e sovinas, nem que os portugueses são mesquinhos e coitadinhos.
P - Com o que já aprendeu desde que cá está, que conselho pode dar?
NB - Como sou consultor, normalmente cobro pelos meus conselhos, assim que não direi nada.
Agora falando sério, o que eu fiz em todas as experiências no estrangeiro foi ter uma atitude total de abertura ao novo e ao diferente, sem nunca esquecer quem sou. Defini como missão pessoal dar a conhecer o melhor de Portugal, tantas vezes prisioneiro de estereotipos do passado que nem sempre são verdade, mas sempre com humildade e respeito por quem me acolhe.








