PORTUGAL NA CATALUNHA

CONVENTO DE SANT AGUSTÍ



 

De 12 a 28 de junho no Convento de Sant Agustí - Exposição de arte contemporânea enquadrada na semana cultural portuguesa “Portugal convida”, promovida pelo Consulado Geral de Portugal em Barcelona & Instituto Camões

A península ibérica é terra de cortiça, de árvores lentas, mas de presença nobre e resistente, que proporcionam paisagens, biodiversidade e culturas únicas. Portugal e Catalunha, embaixadores da cortiça, lideram a produção desta matéria, e o mercado de tantos outros produtos de cortiça, nomeadamente as rolhas, que cooperam no desenvolvimento agrícola de outros tantos. É no casamento dos fatores: paisagem-turismo-extração-produçãotecnologia, em que várias indústrias se sustentam umas às outras e se inter-ajudam, que não se podem perder de vista as potencialidades dos nossos países e assim, da nossa própria história, num tempo económico volátil.

Ao observar os vários territórios de interesse que a cortiça habita, “será interessante refletir, ao sermos confrontados com determinada paisagem (não só imagem), quais as possíveis leituras que podemos retirar desta?” ( Sacramento, Nuno In “ o tempo do Risco, carta arqueológica de Sesimbra”)

Esta exposição de arte contemporânea nasceu de uma longa investigação e de um trabalho empírico sobre a cortiça.

A ideia era compreender, conhecer e observar a vida do sobreiro, tendo em conta os seus contextos geográficos, botânicos, históricos, antropológicos e as suas inúmeras aplicações económicas. Partindo de uma premissa ecológica da árvore, e por conseguinte, da sua matéria prima, considerei fundamental convidar alguns artistas (portugueses e catalães) que pudessem contribuir com os seus olhares, a sua mestria e experiência com a matéria, criando um objeto que refletisse as vivências e lugares desta mesma árvore; do seu tecido vegetal renovável que é a cortiça. Esta ideia põe em movimento diversas abordagens e interrogações mais profundas sobre a nossa ecologia, sobre a nossa sustentabilidade, caminhando passo a passo com o bem estar natural.

Os campos criativos e conceituais do tema da cortiça são muitos. Desta forma, constituir “Diários da cortiça”, implica já uma receptividade aos seus movimentos naturais e suas transformações humanas. Um diário é uma viagem no tempo; é um registo de histórias e acontecimentos singulares. É nesta linha que a exposição se vai ancorando, permitindo ao espectador conhecer a cortiça e o seu berço de um modo poético e verdadeiro, experimentando e sentindo as suas várias nuances. As peças que integram esta exposição, são simultaneamente artísticas e documentais. Algumas tenderão para refletirmos sobre o nosso espaço, o nosso habitat; outras remetem-nos para a nossa origem, para as nossas raízes, e outras ainda para a nossa posição no mundo, enquanto indivíduos produtores de artefactos, de engenhos, que permitem avançar a nossa humanidade.

Esta exposição não teria sido possível sem o total apoio e sensibilidade do Consulado geral de Portugal em Barcelona e da Fundação Millennium BCP. A imprescindível colaboração do aicep em Barcelona, do Pestana Arena hotel, da Corticeira Amorim e de Luis Simões transportes foi também decisiva para levar a cabo este projeto.

Muito devo aos artistas que abraçaram este projeto, desde o seu primeiro momento.

Os meus agradecimentos especiais vão também para o mentor desta ideia, Ramon Font, que me aguçou o gosto pela cortiça e pelas potencialidades expositivas de que a mesma se reveste, impulsionando-me assim a dar continuidade a esta exposição por outros territórios igualmente férteis.

 

A cortiça é uma matéria-prima especial. As suas características polivalentes e inigualáveis fazem com que seja usada nas mais variadas aplicações: desde revestimentos de solo a isolamentos térmicos e acústicos, passando por artigos de decoração e de moda, instrumentos musicais, material desportivo, indústria automóvel e, até, no programa espacial da NASA, cujas naves espaciais também empregam este material.

Para além deste lado pragmático, há também que destacar a importância ambiental da cortiça. A produção da cortiça é, provavelmente, a actividade mais sustentável do mundo. Em primeiro lugar porque os montados, florestas de sobreiros, estão na base de um dos 35 ecossistemas mundiais mais importantes para a conservação da biodiversidade. E, não menos importante, porque é exactamente a extracção da matéria-prima que mantém a vitalidade das árvores e a sobrevivência destes ecossistemas.

Obviamente, não posso deixar de referir a enorme importância que a cortiça tem para a economia de Portugal, maior potência mundial do sector. Com uma área de 730 mil hectares de montado, Portugal é responsável por mais de 50% da produção mundial desta matéria-prima. É através de cerca de 900 empresas e 12.500 trabalhadores nacionais, que todas as actividades inerentes à vida da cortiça - extracção, preparação e transformação - são levadas a cabo em território nacional.

Se é evidente que a cortiça assume especial relevância para Portugal, não deixa de ser verdade que também a Catalunha tem a sua história associada a esta matéria prima. Refira-se que a primeira unidade industrial para produção de rolhas de cortiça na Catalunha se instalou em Girona no final do século XVIII, desenvolvendo grandemente este sector e fazendo dele um factor de relacionamento estreito entre Portugal e a Catalunha.

Por todas estas razões, tenho o maior dos orgulhos em apoiar esta iniciativa. Porque considero que é uma obrigação nacional defender esta indústria. Porque acredito que se trata de uma matéria-prima especial e que muito contribui para a preservação ambiental. Porque significa muito para as relações de Portugal e da Catalunha. E porque, através desta fantástica exposição e destas visões variadas sobre a cortiça, podemos perceber o quanto ainda há para descobrir sobre as suas potencialidades.

Gostaria de endereçar um especial agradecimento à curadora da exposição Elisa Ochoa pelo seu empenho e dedicação que permitiram inaugurar este evento, ao Convent Sant Agustí por tão bem nos ter acolhido, e a todas as entidades que connosco colaboram e que, em conjunto, tornaram tudo isto possível.

 

Ricard Aymar, Zaragoza, 1973.

I Formació en escultura de ferro, Escola Massana, Barcelona.
Taller de gravat i serigrafia, Escola Massana, Barcelona.

Taller de QUAM, intervencions interactives, Mataró. Dirigit per l’artista Alfredo Jaar.
El 1993 graduat en l’especialitat d’il·lustració. Escola d’Art Pau Gallardo, Badalona.
El 2003, assistent de l’artista Marcelí Antúnez. Entre 1994 – 1995 assistent
de l’artiste Frederic Amat.

- Ha realitzat moltes exposicions individuals i col·lectives, entre aquestes destaquen:

- 2011. “Erase una vez…”. La Plataforma. Barcelona. 2009. (-a). La Xina A.R.T. Barcelona. 2007. Galeria Pascal Polar. Brussel·les. 2005(nowhere). La Xina A.R.T. Barcelona. Encreuaments. Espai F. Mataró. 2009. Jeux de mots jeus d’imatges. Musée lanchelevici. La Louvière, Bélgica. L’art du livre. Maison de la culture de Tournai, Tournai, Bélgica.

Paulo Neves, Cucujães, 1959.

Licenciado pela Escola de Belas-artes do Porto, Paulo Neves expõe desde 1980. Exposições e trabalhos mais significativos foram: “Meandros”, coletiva na Galeria Arthobler, em Zurique. Individual, no Museu do Lugo, exposição no Museu Amadeo Sousa Cardoso, em Amarante, mais recentemente, participou no projeto Os Canulos,

para a Fil tubos Angola e na exposição “Floresta”, na Galeria Valbom. Paulo Neves está representado em inúmeras coleções privadas e é sistematicamente convidado para fazer intervenções públicas em diversas câmaras, empresas e outras instituições do país. www.paulonevesescultor.com

 

Rui Ochoa, Porto,1948.

Iniciou a sua atividade como repórter fotográfico no Jornal de Notícias e mais tarde, em 1980 no jornal Expresso, onde ascendeu a Editor em 1989 e mais tarde nomeado Director de Fotografia.

Autor de vários livros, expôs em Paris (Centre Culturel Gulbenkian); Barcelona; Rio de Janeiro; Lisboa, Porto e diversas cidades do país. As suas obras estão representadas no Arquivo Nacional de Fotografia.

Foi premiado por diversas versas: Prémio Gazeta de Jornalismo; Prémio Society for News Designs nos E.U.A. com duas reportagens, entre outros.

 


Tiago Sá da Costa, Lisboa, 1983.

Licenciatura em Design de Equipamento na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Atualmente vive e trabalha em Den Bosch, Holanda, onde desenvolve e produz os seus próprios produtos de design com especial foco na cortiça. Já expôs as suas peças, inclusive a série Corkmatters, em Milão, Nova Iorque, Berlim entre outras.

-Desde 2010 até ao presente, trabalha também como colaborador freelancer para o estúdio de design Maarten Baas, na produção e desenvolvimento de mobiliario artístico e produtos.

- Em 2009 faz um estágio profissional no estúdio Maarten Baas na Holanda, ao abrigo do programa INOV-Art.

- Em 2008 faz um estágio na indústria cerâmica Cerarpa em Côja, Portugal.